extração
O que a extração entrega.
Lógica e física respondem a perguntas diferentes
A lógica trabalha com o que o sistema do aparelho entrega — o que está organizado, acessível, "vivo". Responde rápido e cobre o que a maior parte dos casos precisa.
A física trabalha mais perto do armazenamento em si, e por isso pode alcançar o que o sistema já não mostra.
Não é uma melhor que a outra: é o caso que decide qual pergunta precisa ser respondida, e o que está disponível para aquele dispositivo naquela situação.
Quem promete sempre a segunda está vendendo expectativa. O que se pode garantir é o método e o registro do que foi feito.
Apagar não é remover
Na maior parte dos sistemas, apagar é marcar o espaço como disponível. O conteúdo continua fisicamente onde estava até que algo novo seja gravado por cima. É por isso que existe recuperação — e é por isso que continuar usando o aparelho depois é o que mais destrói material.
Cada foto tirada, cada aplicativo atualizado, cada mensagem recebida ocupa espaço que pode ser exatamente o espaço do que se queria recuperar.
O que aumenta a chance de um exame encontrar algo não é a ferramenta. É o aparelho ter parado de ser usado cedo.
A extração terminou e entregou duzentas mil mensagens. E agora?
Ler tudo não é opção. Escolher o que ler é onde o exame se ganha ou se perde — e escolher mal produz um laudo que confirma exatamente o que quem contratou queria ouvir.
O que organiza: recortar por período relevante, mapear quem conversa com quem, e definir os termos de busca junto com quem conhece o caso, não sozinho no escritório.
E registrar os critérios usados. Um exame que não diz como filtrou está pedindo para ser contestado por aquilo que deixou de fora.
O que precisa constar num relatório, no mínimo
- Qual era o dispositivo, e como se sabe que é aquele.
- Quem o entregou, quando, e em que condição chegou.
- O que foi feito, em que ordem, com qual configuração — em detalhe suficiente para outro profissional repetir.
- O que se obteve, e o que se buscou e não se obteve.
- O registro de integridade em cada etapa.
A quarta linha é a que costuma faltar, e é a que dá credibilidade à primeira.
Um relatório com isso responde ao contraditório. Um relatório só com o resultado responde a quem já concordava.
O exame pressupõe autorização do titular do dispositivo, ordem judicial ou outra base legal. Ver quem pode usar, e sob qual base.